LEITURA ADICIONAL PARA O CAPÍTULO 6
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Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS)

Análise Econômica de uma Pecuária mais Sustentável

A expansão da pecuária na Amazônia tem sofrido pressões para adequação socioambiental e melhoria no desempenho socioeconômico. A baixa implantação de melhores práticas no campo e a escassez de sólidas analyses do desempenho produtivo e financeiro são razões que dificultam o investimento por parte dos produtores rurais no aumento da produtividade e manejo sustentável. Além disso, há falta de direcionamento do crédito rural para as práticas de intensificação. Neste trabalho foi avaliado o impacto da intensificação do ponto de vista financeiro, mensurado seus riscos e o papel do crédito para a lavancagem das boas práticas, entre outras implicações advindas da intensificação da pecuária.

A pecuária tradicional tem se mostrado ineficiente ambiental e economicamente. Atualmente a atividade ocupa 75% da área desmatada na Amazônia e contribui com cerca de 40% das emissões de CO2 do Brasil, mas gerou menos de 3% do PIB nacional na última década. Alguns produtores rurais já vêm investindo na melhoria da produtividade. Entretanto, o investimento isolado é insuficiente para uma transformação da pecuária na escala regional.

Os resultados do modelo aqui desenvolvido demonstram que a intensificação aumenta o valor presente líquido em até R$ 1.940 por hectare, e reduzem substancialmente o risco de prejuízo de 99% para 15%. Estes resultados confirmam a viabilidade econômica da atividade produtiva e o aumento de competitividade com outros usos do solo. Entre os impactos positivos sobre os recursos naturais está a possibilidade de aumentar de produção e renda sem a necessidade de novos desmatamentos.

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Contribuições para o Desenvolvimento da Pecuária Sustentável em Larga Escala na Microrregião de Alta Floresta, MT

A pecuária brasileira usa, em média, somente 30% do potencial sustentável de produção das pastagens. Isso significa que é possível manter, ou mesmo aumentar, o volume da produção sem abrir novas áreas de pastagem. Este processo, contudo, precisa ser analisado em modelos que considerem fatores bioeconômicos. A microrregião de Alta Floresta, no Mato Grosso, configura um context extremamente favorável para o aumento da produtividade da pecuária e da soja, sem ser necessário desmatar nenhum hectare de floresta. Nesse sentido, esse relatório apresenta as analyses fundamentais para o desenvolvimento sustentável da microrregião de Alta Floresta, através de uma abordagem de uso integrado do solo.

A projeção do cenário de produção atual (business as usual) resultou em uma estimativa de 200 mil hectares de área de soja plantada na microrregião em 2030, e de um crescimento de aproximadamente 23% do rebanho da região. Tal expansão agropecuária acarretaria no desmatamento de 446 mil novos hectares na região. Já o cenário de desmatamento zero demanda a intensificação de 300 mil hectares. Esse esforço requer um investimento total de aproximadamente 740 milhões de reais nos próximos 15 anos. Dividido de maneira ótima ao longo dos próximos quinze anos, o custo anual da implantação da intensificação chegaria a valores 40% maiores do que a atual capacidade de obtenção de crédito da pecuária da região. No entanto, nos últimos dez anos o crédito para a pecuária de Alta Floresta tem crescido em um ritmo que, se mantido, seria suficiente apenas para cobrir tais despesas ao longo do período.

O custo de transição para uma agropecuária mais sustentável poderia ser coberto por programas de REDD+. A estruturação de um Programa Estadual de REDD+, através da implementação da Lei Estadual nº 9878/2013, pode contribuir na criação de mecanismos financeiros para esta transição. O valor estimado para cobrir os custos da intensificação é de US$ 1,50/ t CO2e. As ações e programas do Fundo Amazônia (que oferece o valor fixo de US$ 5,00/t CO2e) poderiam também financiar politicas complementares, como assistência técnica e controle do desmatamento. Uma transição para o cenário mais sustentável mitigaria a emissão de 203 milhões de toneladas de CO2.

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