LEITURA ADICIONAL PARA O CAPÍTULO 5
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Um Guia para Opções Orientadas para Soluções

Este guia apresenta uma visão geral das iniciativas público-privadas, certificação e instrumentos técnicos para rastreabilidade visando promover a produção com desmatamento zero comprovado. Para garantir a transformação duradoura, sistêmica e em escala, estes deveriam ser integrados com a intensificação moderada e outras práticas produtivas destinadas a melhorar a produtividade tanto da pastagem quanto do rebanho nas áreas já existentes, e, portanto, reduzir as pressões para desmatar novas áreas. Para obter mais informações sobre as práticas de intensificação moderada, consulte a seção de LEITURA ADICIONAL.

Certificação—Rede de Agricultura Sustentável (SAN)

A Rede Agricultura Sustentável (SAN) Padrão para Sistemas de Pecuária Sustentável, fornece um esquema de certificação voluntária para fazendas de pecuária de corte que estejam interessadas ​​em melhorar seu desempenho ambiental, social, trabalhista e operacional assim como a comercialização dos seus produtos com o Selo de Certificação da Rainforest Alliance. A norma, que só se aplica a fazendas onde os animais têm acesso ao pasto, inclui os seguintes princípios: sistemas integrados de gestão, manejo sustentável das pastagens, bem-estar animal e redução da pegada de carbono.

Grupos de Trabalho (GRSB e GTPS)

A Mesa Redonda Global da Carne Sustentável (GRSB) desenvolveu Princípios e Critérios como um meio de definir carne sustentável e disponibilizar um padrão para impulsionar a melhoria contínua na cadeia global de valor da carne bovina. Usando isso como um padrão orientador, o Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS) no Brasil está desenvolvendo normas, indicadores e práticas produtivas específicas para o país que podem ser adotadas pelo setor, o que irá contribuir para o desenvolvimento da pecuária sustentável no Brasil. Os indicadores em desenvolvimento pelo GTPS irão apoiar melhorias contínuas no setor e fornecer métricas para avaliação do progresso.

Rastreamento de Animais

Existem vários métodos diferentes que permitem a identificação individual e rastreabilidade de animais. Estas variam em sofisticação, indo de brincos de identificação até o uso de tecnologia de microchip com RFID (identificação por radiofrequência).56 A identificação com RFID pode fornecer dados georreferenciados e de informação biofísica dos animais. Essa tecnologia pode ser usada para georeferenciar a localização do rebanho e acompanhar seu movimento pela área. Ela também pode ser usada para otimizar a produção, permitindo o controle exato do ganho de peso e outros indicadores biofísicos. Uma vez que um chip esteja implantado no animal, sua localização pode ser determinada e as informações sobre o mesmo podem ser acessadas, tais como registros de nascimento, raça, proprietário, tratamentos e vacinações. O uso de microchips RFID pode melhorar significativamente a rastreabilidade e monitoramento dos animais ao longo de todo o ciclo de produção, desde o nascimento até o abate. Esta tecnologia foi comprovada em escala no Uruguai, onde todos os 12 milhões de cabeças de gado bovino do país recebem brincos eletrônicos ao nascimento.57

Apesar de suas vantagens, tanto para a rastreabilidade quanto produção, essa tecnologia pode ter um custo proibitivo para alguns produtores, especialmente para os pequenos, que não podem se beneficiar da economia de escala. Existem opções de menor custo, como um bolus eletrônico reutilizável,58 que contém um chip que armazena informações sobre cada animal, tais como local de nascimento, e é recuperado no abate.59

Essas tecnologias estão sendo cada vez mais empregadas no Brasil, como por exemplo pelo grupo de supermercados Carrefour, que está usando sistemas de rastreabilidade para permitir que os clientes identifiquem as fazendas que fornecem a carne que compram pelo programa "Garantia de Origem" do Carrefour.60

Grandes frigoríficos brasileiros estão considerando o uso de informações de rastreabilidade coletadas nas campanhas de vacinação contra a febre aftosa e a "Guia de Transporte Animal" - GTA para assegurar que os animais não estiveram em fazendas listadas como problema pelo governo, devido a desmatamento ilegal, por exemplo, criando-se dessa forma uma "GTA Verde”.61

A ONG brasileira, Instituto Centro de Vida (ICV) está testando um sistema para monitorar fornecedores diretos e indiretos de bovinos quanto ao desmatamento e outras questões de sustentabilidade. Este sistema será implementado nos próximos meses em um programa de carne desmatamento zero comprovado, chamado Novo Campo, no Norte do Estado de Mato Grosso na Amazônia brasileira. É uma solução pioneira, viável para efetivamente controlar a cadeia de abastecimento da carne bovina na Amazônia. Todas as fazendas participantes são verificadas quanto à conformidade legal e devem fornecer detalhes de todos os seus fornecedores e, em seguida, as mesmas verificações são feitas nessas fazendas fornecedoras (fornecedores indiretos.) As fazendas participantes somente podem vender através do programa Novo Campo se todos os seus fornecedores também aderirem a estes critérios ambientais.

Sistema de Desempenho Territorial (Abordagem Jurisdicional)

A pecuária de corte é um dos principais motivadores do desmatamento na Amazônia brasileira, no entanto, outras causas, tais como a produção de grãos, extração mineral e projetos de infraestrutura também contribuem para a perda de florestas. Ao mesmo tempo que soluções para a cadeia produtiva estão ajudando a reduzir impactos de commodities específicas, há uma preocupação crescente com a necessidade de uma abordagem mais holística entre-commodities para garantir a proteção das florestas. Embora ainda teórico, uma abordagem territorial (por exemplo, zonas de desmatamento zero, ZDZ e outros sistemas de desempenho territorial), quando integrada com iniciativas existentes para cadeias produtivas, mecanismos de REDD +, e política de governança florestal pode oferecer uma abordagem unificada que impulsiona a produção sustentável em toda uma área ou território (nacional, estadual e/ou municipal).

56. SafeTrace. A Cadeia da Carne Rastreada.
57. Rebufello, P., et al. 2012. Uruguay Streamlines Livestock Traceability. ESRI News.
58. CERTAG, Bolus CERTAG 7.2. Electronic Animal Identification.
59. CERTAG, Bolus CERTAG 7.2. Electronic Animal Identification.
60. Carrefour. Garantia de Origem, Rastreabilidade.
61. JBS 2014. Plano de Trabalho JBS - Acordo Greenpeace.