LEITURA ADICIONAL PARA O CAPÍTULO 2
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Mercado Clandestino

De acordo com a legislação brasileira, as instalações de produção de carne estão sujeitas à inspeção governamental, para assegurar o cumprimento das normas de segurança e higiene alimentar. No entanto, esta exigência não se estende aos produtos não alimentares, tais como peles e couros. A relativa falta de controle sobre a produção de peles/couro facilitou a criação de um mercado clandestino desses produtos.

O mercado clandestino pode ser estimado por comparação do número total de couros processados ​​com o número total reportado de animais abatidos.38 Como indicado na figura, o número de peles produzidas é consistentemente maior que o número total relatado de bovinos abatidos, proporcionando uma estimativa de mercado clandestino. Embora o número de abates não registrados tenha diminuído de forma constante nos últimos anos, as curtumes de couro ainda processaram quase 2,5 milhões de peles em 2015, o que não podia ser atribuído ao abate documentado de gado.

Estimativas do Número de Cabeças de Gado Abatidas pela Indústria Clandestina de Gado37
Fonte: IBGE. 2016. Pesquisa Trimestral do Couro

Devido à relativa falta de controle sobre a produção de peles/couro, é provável que essas peles clandestinas entrem em mercados oficiais, tanto no Brasil quanto em outros países países processadores de couro, como Itália e China, na forma de exportação. Uma vez que suas origens não estejam documentadas, essas bolsas, sapatos, estofados ou outros artigos de couro podem ter sido originados em terras desmatadas recentemente ou utilizando trabalho escravo. O Grupo de Trabalho do Couro (LWG), um grupo com várias partes interessadas, cujos membros incluem algumas das maiores marcas mundiais de calçados e moda, desenvolveu um protocolo de auditoria ambiental. Este protocolo exige o rastreamento até o frigorífico (que pode evitar a compra de peles provenientes de abate clandestino). Peles de animais da Amazônia brasileira devem ser rastreáveis até a fazenda, que por sua vez não pode ter tido desmatamento após 2009 (alinhado com o Acordo G4 de Desmatamento Zero, descrito no Capítulo 3).

A fim de garantir que os produtos de couro não contribuam para a perda de florestas e violação dos direitos humanos ou outras ilegalidades, a aquisição deve ser limitada, exclusivamente, a frigoríficos que tenham implementado sistemas de monitoramento e rastreabilidade para verificar produção com desmatamento zero.

Walker, N.F., Patel, S.A., and Kalif, K.A.B. 2013. From Amazon pasture to the high street: deforestation and the Brazilian cattle product supply chain. Tropical Conservation Science – Special Issue, Vol. 6 (3): 446-467.
37. Walker, N.F., Patel, S.A., and Kalif, K.A.B. 2013. From Amazon pasture to the high street: deforestation and the Brazilian cattle product supply chain. Tropical Conservation Science – Special Issue, Vol. 6 (3): 446-467.
38. Walker, N.F., Patel, S.A., and Kalif, K.A.B. 2013. From Amazon pasture to the high street: deforestation and the Brazilian cattle product supply chain. Tropical Conservation Science – Special Issue, Vol. 6 (3): 446-467.
39. Walker, N.F., Patel, S.A., and Kalif, K.A.B. 2013. From Amazon pasture to the high street: deforestation and the Brazilian cattle product supply chain. Tropical Conservation Science – Special Issue, Vol. 6 (3): 446-467.
40. Walker, N.F., Patel, S.A., and Kalif, K.A.B. 2013. From Amazon pasture to the high street: deforestation and the Brazilian cattle product supply chain. Tropical Conservation Science – Special Issue, Vol. 6 (3): 446-467.