LEITURA ADICIONAL PARA O CAPÍTULO 1
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Produção Com Desmatamento Aumenta Muito as Emissões

A indústria global de carne bovina, atualmente tem enfrentado críticas crescentes quanto à pegada ecológica de gases de efeito estufa (GEE) associadas aos bovinos,18,19,20 que é muito maior do que a de outros animais de produção, representando cerca de 9% do total das emissões globais de GEE.21 Há uma ampla gama de fontes de emissão associadas à pecuária, incluindo fermentação entérica (uma grande fonte de emissões de metano a partir de processos digestivos), a produção de alimentos para animais em confinamento e mudanças no uso da terra, como o desmatamento.

Carne produzida em áreas recentemente desmatadas pode ser responsável por até 25 vezes mais emissões de gases de efeito estufa (GEE) do que a carne produzida em pastagens estabelecidas.

O gado se tornou um dos maiores vetores de desmatamento no Brasil, representando até 80% de todas as emissões decorrentes da mudança de uso da terra (ver citaçãoO gado se tornou um dos maiores vetores de desmatamento no Brasil, representando até 80% de todas as emissões decorrentes da mudança de uso da terra. Todos os sistemas de produção de gado produzem emissões, mas onde as florestas são limpas para pastagens, as emissões são ainda maiores.21-2 Bovinos produzidos em terras recentemente desmatadas na Amazônia brasileira podem ter uma pegada de GEE até 25 vezes maior do que animais produzidos em pastagens estabelecidas (28 contra 726 kg CO2 equivalente por quilo de carne, respectivamente).22 Portanto, uma das maneiras mais eficazes para se reduzir a pegada de GEE da carne bovina, couro, sebo e outros produtos derivados da pecuária, é assegurar um sistema de produção com desmatamento zero comprovado.

Além disso, o apoio a práticas de pecuária que melhoram a produtividade em pastagens estabelecidas pode ajudar a diminuir as emissões por animal. A intensificação moderada, que inclui práticas de tecnologias básicas e baixo custo, tais como cercas, pastejo rotacionado e espécies forrageiras melhoradas, pode ajudar a melhorar a produtividade e recuperar pastagens degradadas.23 Portanto, o setor pecuário pode continuar a atender a crescente demanda por carne bovina, couro, sebo, e outros derivados sem mais desmatamentos. Este resultado pode ser atingido ao mesmo tempo que se melhora a rentabilidade do setor pecuário e se reduz as emissões de GEE por unidade produzida.

18. Eshel, G., et al. 2014. Land, irrigation water, greenhouse gas, and reactive nitrogen burdens of meat, eggs, and dairy production in the United States. PNAS, Vol. 111, No. 3.
19. Caro, D., et al. 2014. Global and regional trends in greenhouse gas emissions from livestock. Climatic Change, Vol. 126, Issue 1-2, 203-216.
20. Herrero, M., et al. 2013. Biomass use, production, feed efficiencies, and greenhouse gas emissions from global livestock systems. PNAS, Vol. 110, No. 52.
21. Gerber, P.J., et al. 2013. Tackling climate change through livestock – A global assessment of emissions and mitigation opportunities. Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), Rome.
Bowman, M. S., Soares-Filho, B. S., Merry, F. D., Nepstad, D. C., Rodrigues, H., & Almeida, O. T. (2012). Persistence of cattle ranching in the Brazilian Amazon: A spatial analysis of the rationale for beef production. Land Use Policy, 29(3), 558-568.
22. Cederberg, C., et al. 2011. Including Carbon Emissions from Deforestation in the Carbon Footprint of Brazilian Beef. Environmental Science and Technology, 45(5), 1773-1779.
23. Hall, Simon; Sarsfield, Ryan; and Walker, Nathalie (2015). GRSB-GTPS Joint Working Group on Forests (JWG) Workshop Report: Investing in Smart Production. National Wildlife Federation.